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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Direito ao futuro

* Por Washington Araújo

Nunca antes a humanidade viveu época tão sinalizada por marcos legais abrangentes e que têm como beneficiários nada menos que os 7 bilhões de pessoas que formam a população mundial, como os tempos atuais.

Direitos humanos tem sido bandeira para gerações desde o fim da 2ª. Guerra Mundial, gerações que foram assombradas com campos de concentração nazista e com as nuvens de cogumelo que anunciaram a destruição de populações inteiras das cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki. Além disso, fomos feridos com o extermínio de armênios, judeus, bascos. A lista da estupidez humana é longa.

E foi para reprimir essa sanha assassina que foi proclamada pelas Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos Humanos em dezembro de 1948. Desde aquele ano estamos imersos em um oceano de direitos. Protegidos, ao menos quanto ao arcabouço legal.

Mas ainda precisamos de um outro tipo de direito: o direito ao futuro. Alguns poucos países – felizmente – ainda não se deram conta que o bem maior a ser protegido é o direito ao futuro. Porque a vida humana só encontra completude se nos assegurar o direito ao futuro, futuro de ser, existir e dispor dos meios para a busca da felicidade.

E o caso do Irã apresenta-se como caso emblemático em que não apenas se deixa de proteger o seu rico milenar passado – terra de grandes estadistas, poetas, cientistas – como torna-se política pública de Estado a negação a um futuro brilhante para suas novas gerações de rapazes e moças, jovens que são vilmente discriminados e perseguidos por não se alistarem automaticamente à crença religiosa oficial do Estado.

No Irã, desde 1979, com a tomada do poder pelo aiatolá Khomeini até este ano de 2013, no apagar das luzes do segundo mandato presidencial de Ahmadnizhad, milhares de jovens bahá´ís são expulsos de universidades de quase todos os seus centros urbanos. A este formidável contingente de jovens é negado o direito ao futuro. O direito de serem médicos e engenheiros, professores e cientistas, advogados, e assim por diante.

O país persa tem feito vista grossa à afirmação do pensador Shoghi Effendi (1897-1957), ele próprio uma das figuras centrais da religião bahá´í, quando afirmou que “o maior tesouro de uma nação é o seu povo”. E é fato que nos últimos 30 anos, o governo iraniano tem se ocupado em violar os direitos humanos de parte de sua população.

O Conselho Revolucionário do Irã apunhalou o futuro de milhares de jovens quando decretou que jovens iranianos somente poderiam cursar universidade se professarem as religiões oficialmente protegidas por sua Constituição. Trocando em miúdos, só podem receber educação superior jovens muçulmanos ou que sejam zoroastrianos, judeus e cristãos.

É dessa forma arbitrária que o governo iraniano mantém em funcionamento as milhares de traquitanas a asfixiar a sua maior minoria religiosa – os mais que 300.000 adeptos da religião bahá´í no país. Chega a ser irônico que foram esses mesmos bahá´ís que, ainda em 1844, se sacrificaram para que pudesse nascer a era dos direitos em vivemos atualmente, uma vez que proclamavam a unidade do gênero humano, a eliminação de todas as formas preconceitos, os direitos iguais para homens e mulheres.

Sim, o direito à educação tem um outro nome.

Chama-se direito ao futuro. Futuro negado aos jovens bahá'ís.

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*Washington Araújo é jornalista e escritor. mestre em Comunicação pela UnB.
Tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil, Argentina, Espanha, México.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Praia de Copacabana sedia lançamento da Campanha Internacional Cinco Anos – Basta

O movimento pede a libertação das sete lideranças bahá'ís e demais prisioneiros de consciência no Irã



Voluntários estendem a obra de Siron Franco em Copacabana





No domingo, 5 de maio, as areias de Copacabana (RJ) receberam banner de 10 X 15 metros. A imagem criada pelo artista plástico Siron Franco representa um pássaro e lembra a detenção das sete lideranças bahá’ís, além de centenas de outros prisioneiros de consciência existentes no Irã. Aproximadamente 30 membros da Comunidade Bahá'í do Brasil distribuíram folhetos e conversaram com a população. O principal objetivo é chamar a atenção da comunidade internacional.

A programação no Rio de Janeiro começou às 10h da manhã e contou com a presença da Anistia Internacional, representada pelo assessor de política externa e direitos humanos, Dr. Maurício Santoro; da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro, representada por Cláudio José Miranda; da Sociedade Brasileira de Médicos pela Paz, representada por Farhad Shayani; além do babalaô Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas.

Maurício lembrou que a Anistia Internacional surgiu para defender presos de consciência e destacou a situação vivenciada no Irã. “O caso das lideranças bahá'ís não é uma exceção. Há pelo menos mais 170 bahá'ís presos, além da perseguição a outras minorias. A história dos Direitos Humanos é inseparável da liberdade religiosa”.


Fahad ressaltou que esse tipo de violação pode acontecer com qualquer pessoa. “Não imaginem que isso não possa ocorrer no Brasil. Registre o seu protesto e diga: os bahá'ís devem ser libertados porque são inocentes”.

O bahá'í iraniano Ramim Shams teve que deixar seu país natal devido às perseguições que sofreu. “Desde 1979 os bahá'ís são perseguidos. Minha casa foi invadida. Meus amigos foram perseguidos. Então com 17 anos não pude entrar na faculdade por ser bahá'í. Tive que deixar meu país para buscar oportunidades. Por favor se expressem, porque isso pode ajudar as pessoas que são perseguidas no Irã”, contou.

Siron Franco não pôde comparecer a manifestação, mas, por telefone, ressaltou a representatividade da imagem. “A situação dos bahá’ís no Irã é muito preocupante. Acredito que os seres humanos devem ser livres como pássaros e esse é o objetivo da minha obra, defender a liberdade desses indivíduos”.

Segundo a representante da Comunidade Bahá'í do Brasil, Mary Aune, é preciso aumentar o clamor internacional. “Presos de consciência são aqueles perseguidos apenas por acreditar em algo. No caso dos bahá'ís do Irã, por professar uma fé que não é a do Estado Iraniano. E é a pressão internacional que pode promover a mudança desse quadro”, afirmou.

A Campanha Cinco Anos – Basta é promovida pela Comunidade Internacional Bahá'í e no decorrer das próximas duas semanas, terá capítulos em Washington (EUA), Haia (Holanda), Paris (França), Londres (Reino Unido), Toronto (Canadá) e outras cidades pelo mundo.


Arte e liberdade

Além da intervenção visual de Siron Franco, foram expostos também dois poemas escritos por jovens bahá'ís brasileiros. Para o paulista Nader Vahdat, formado recentemente em Administração de Empresas, é preciso conscientizar a sociedade sobre a situação dos bahá’ís no Irã. “Resolvi expressar minhas ansiedades e pensamentos para que outras pessoas também parem para pensar e refletir sobre a importância de buscar soluções para a eliminação do preconceito religioso”.

Já o estudante de artes plásticas da Universidade de Brasília, Lucas Rodrigo dos Santos, afirma que uma das motivações para escrever o poema foi externar a tristeza pelo sofrimento do semelhante. “Somos irmãos, é fácil sentir por eles. Escrever o poema foi apenas uma catarse, uma tentativa de mostrar que eles não estão sozinhos”.

Entenda o caso

Presas desde de 2008, as sete lideranças bahá’ís são: Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, Sr. Saeid Rezaie, Sra. Mahvash Sabet, Sr. Behrouz Tavakkoli, e Sr. Vahid Tizfahm. Cerca de 20 meses depois, ainda sem acusação formal, iniciou-se um julgamento em 12 de janeiro de 2010. Os advogados que acompanham o caso tiveram, em todo esse tempo, cerca de uma hora para se encontrar com os prisioneiros, e apenas poucos dias antes do julgamento tiveram acesso aos autos do processo.

Entre as acusações apresentadas contra os sete estão “espionagem, propaganda contra a República Islâmica, e estabelecimento de uma administração ilegal” – todas completa e categoricamente rejeitadas pelos réus. Após o julgamento, mesmo sem a apresentação de qualquer prova que os incriminasse, os sete foram condenados a 20 anos de prisão.


O artista

Nascido em Goiás em 1947, Siron Franco já produziu mais de 3.000 obras, entre desenhos, pinturas, esculturas e intervenções urbanas. Muitos de seus trabalhos se dedicam a temas relacionados aos direitos humanos e temas de relevância social, como é o caso do Monumento à Paz, inaugurado na ECO-92 e restaurado para a Rio+20.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Participe do lançamento da campanha Internacional Cinco Anos - Basta!, domingo (5), em Copacabana

Voluntários estão sendo convocados para ajudar na preparação do evento de lançamento do capítulo brasileiro da campanha internacional Cinco Anos - Basta!, que será realizado no próximo domingo, 5 de maio, nas areias de Copacabana (RJ).

Para Siron Franco, seres humanos devem ser "livres como pássaros".
Os trabalhos terão início às 5h da manhã, com a colocação de um banner de 10X15m produzido pelo artista plástico Siron Franco na areia da Praia, entre as ruas Siqueira Campos e Figueiredo Magalhães.

A programação oficial começará às 10h, quando convidados especiais realizarão pronunciamentos em frente ao banner. A campanha tem como objetivo marcar o aniversário de cinco anos desde a prisão das sete lideranças bahá'ís no Irã e clamar por sua libertação imediata.

Na ocasião, Siron Franco se juntará a membros da Comunidade Bahá'í do Brasil, que será representada por seus membros do Rio de Janeiro e de outros estados brasileiros, e à organização não-governamental Anistia Internacional, representada por seu assessor de política externa e direitos humanos, Dr. Maurício Santoro.

A Anistia considera grave a situação dos direitos humanos no Irã, e classifica os sete bahá'ís, juntamente com cerca de mais cem seguidores da religião detidos entre 2004 e 2013 como "prisioneiros de consciência, detidos exclusivamente por causa de suas crenças”. (Leia mais).

Além dos prisioneiros bahá'ís, centenas de outros indivíduos -- entre jornalistas, ativistas pelos direitos das mulheres, avogados, defensores de direitos humanos, etc -- encontram-se detidos atualmente no país islâmico na condição de prisioneiros de consciência.

Cinco mil folhetos serão distribuídos como parte da campanha, que convocará os participantes a enviar fotos para o Facebook e fazer comentários sobre a situação no Irã. Uma página na Internettambém foi criada para repercutir a campanha.


Arte pela justiça e liberdade

O banner de Siron Franco representa os seres humanos como pássaros livres. “Estarei em Copacabana para defender o direito à liberdade desses indivíduos, cujo único crime é contribuir com a melhora da sociedade em que vivem”, declarou.

Além da intervenção visual de Siron Franco (foto, em destaque), estarão expostos também dois poemas escritos por jovens bahá'ís brasileiros, nos quais a situação de seus correligionários no Irã são o foco central.

Para o paulista Nader Vahdat (foto, acima), formado recentemente em Administração de Empresas, é preciso conscientizar a sociedade sobre a situação dos bahá’ís no Irã. “Resolvi expressar minhas ansiedades e pensamentos para que outras pessoas também parem para pensar e refletir sobre a importância de buscar soluções, mesmo que indiretas, para a eliminação do preconceito religioso”.

Já o estudante de artes plásticas da Universidade de Brasília, Lucas Rodrigo dos Santos (foto, abaixo), afirma que uma das motivações para escrever o poema foi externar a tristeza pelo sofrimento do semelhante. “Somos irmãos, é fácil sentir por eles. Escrever o poema foi apenas uma catarse, uma tentativa de mostrar que eles não estão sozinhos”.

Durante as próximas duas semanas, a campanha internacional terá ainda capítulos emWashington (EUA), Haia (Holanda), Paris (França), Londres (Reino Unido), Toronto (Canadá) e outros países. Para saber mais, acesse bic.org/fiveyears.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Campanha pela libertação das lideranças bahá’ís e demais prisioneiros de consciência no Irã tem apoio de Siron Franco e da Anistia Internacional

Participe do evento de lançamento no Brasil, marcado para 5 de maio, na Praia de Copacabana (RJ) 

Imagem criada por Siron Franco para a Campanha Cinco Anos – Basta!
Um banner de 10 X 15 metros será estendido nas areias de Copacabana (RJ) no domingo, dia 5 de maio. A imagem, criada pelo artista plástico Siron Franco, representa as sete lideranças bahá’ís e as centenas de outros prisioneiros de consciência existentes no Irã hoje.

“Os seres humanos devem ser livres como pássaros,” acredita Siron, que já confirmou sua presença . “Estarei lá para defender o direito à liberdade desses indivíduos, cujo único crime é contribuir com a melhora da sociedade e que vivem”, declarou. A programação está marcada para começar às 10h da manhã, com a presença de parlamentares, militantes de direitos humanos e representantes de organizações não-governamentais.

A Anistia Internacional, que tem acompanhado o caso de perto, estará representada por Maurício Santoro, do escritório no Brasil. Em fevereiro de 2009, a Anistia Internacional emitiu um “Chamado à Ação” e defesa das lideranças bahá’ís, afirmando que as acusações tinham motivação política e descrevendo os detidos como “prisioneiros de consciência, detidos exclusivamente por causa de suas crenças” e por suas “atividades pacíficas em nome da comunidade bahá’í”. (Leia mais).

Julgamento injusto

Presas desde de 2008, as sete lideranças bahá’ís são: Sra. Fariba Kamalabadi, Sr. Jamaloddin Khanjani, Sr. Afif Naeimi, Sr. Saeid Rezaie, Sra. Mahvash Sabet, Sr. Behrouz Tavakkoli, e Sr. Vahid Tizfahm. Cerca de 20 meses depois, ainda sem acusação formal, iniciou-se um julgamento em 12 de janeiro de 2010. Os advogados que acompanham o caso tiveram, em todo esse tempo, cerca de uma hora para se encontrar com os prisioneiros, e apenas poucos dias antes do julgamento tiveram acesso aos autos do processo.

Entre as acusações apresentadas contra os sete estão “espionagem, propaganda contra a República Islâmica, e estabelecimento de uma administração ilegal” – todas completa e categoricamente rejeitadas pelos réus. Após o julgamento, mesmo sem a apresentação de qualquer prova que os incriminasse, os sete foram condenados a 20 anos de prisão.

“Esses indivíduos foram presos e condenados simplesmente pelo fato de serem membros da Fé Bahá’í, uma religião que tem sido o foco de uma perseguição sistemática patrocinada pelo governo do Irã desde a revolução de 1979”, explica a representante da Comunidade Bahá’í do Brasil, Mary Caetana Aune-Cruz.

Em 19 de julho de 2011, mais de mil pessoas deram as mãos ao 
redor de 7.747 máscaras fincadas nas areias de Copacabana.
O número representava a soma do número de dias que as
lideranças bahá’ís já haviam passado na prisão.
“O julgamento dos sete foi de certo modo o julgamento de toda uma comunidade de mais de 350.000 bahá’ís iranianos”, acrescenta Mary. “No decorrer das últimas três décadas, mais de 200 bahá’ís foram mortos, centenas de outros aprisionados, e milhares privados de emprego, educação e da liberdade de culto.”

“A exemplo do que tivemos em 2011, quando fizemos colocamos quase 8 mil máscaras das sete lideranças na areia, esperamos que haja uma repercussão significativa dessa etapa da Campanha, que está ocorrendo em dezenas de países por todo o mundo”, esclarece Mary.


Siron Franco – arte pelos direitos humanos 

Nascido em Goiás em 1947, Siron Franco já produziu mais de 3.000 obras, entre desenhos, pinturas, esculturas e intervenções urbanas. Muitos de seus trabalhos se dedicam a temas relacionados aos direitos humanos, como é o caso do Monumento à Paz, inaugurado na ECO-92 e restaurado para a Rio+20.

Para mais informações, escreva para ascom@bahai.org.br ou ligue para (61) 3255 2200 | 8188 0239.

Para mais informações sobre a campanha, acesse http://cincoanosbasta.blogspot.com.br/

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Posicionamento da Comunidade Bahá’í do Brasil sobre a Presidência da CDHM-CD


março de 2013

O Presidente eleito da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, tendo em vista seu perfil pessoal e ideológico e o histórico de suas manifestações públicas, tem provocado uma série de reações que nos convidam a uma reflexão mais profunda. Trata-se da ausência da aplicação de um princípio norteador universal, com critérios para a eleição de quem pleiteie tal cargo, independentemente do partido ao qual esteja filiado – algo que já gerou situações similares naquela comissão no passado e agora se repete na atual legislatura.
Há paralelos que podem ser considerados na busca de uma solução para esta questão, como a própria composição do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (CDH-ONU). Para integrá-lo, um país deve cumprir com determinados quesitos de promoção, proteção e defesa dos direitos humanos:
A Resolução 60/251 da Assembleia Geral das Nações Unidas afirma os critérios de adesão que "ao eleger os membros do Conselho, os Estados-Membros devem ter em conta a contribuição dos candidatos à promoção e proteção dos direitos humanos e suas promessas e compromissos voluntários dos mesmos" (parágrafo nº 8). 1
O compromisso assumido diante do CDH-ONU pressupõe que o país manterá os padrões universalmente aceitos para os direitos humanos e enumera as ações assumidas por esse Estado na promoção e proteção dos direitos humanos. Tipicamente inclui-se uma listagem da participação do país em instituições internacionais, a qual está disponível para verificação pública.
Além disso, os candidatos devem aceitar que serão submetidos a avaliações periódicas, pelos demais países, de seu histórico de direitos humanos, algo conhecido como Mecanismo de Revisão Periódica Universal, caso conquistem um assento no CDH-ONU. Mesmo à luz das dificuldades conceituais e operacionais na efetivação dos direitos humanos, o reconhecimento deste conjunto de critérios como algo fundamental para assegurar um padrão mais elevado de integridade dos postulantes a membro do CDH-ONU permite que mecanismos estejam a postos para elevar gradualmente o padrão de conduta dos países que compõem o Conselho.
Uma experiência brasileira que pode ser útil no contexto da CDHM foi a elevação do padrão de postulantes a cargos eletivos públicos por meio da Lei da Ficha Limpa2. A lei é um mecanismo que permite assegurar de forma mais criteriosa que candidatos representem os valores morais e éticos mais elevados da sociedade brasileira. Sabemos que muito ainda podemos avançar em relação aos padrões de representatividade. Ainda assim, a Lei da Ficha Limpa desponta-se com esta intenção, e não coincidentemente recomendamos sua aplicação como critério nas futuras eleições do Parlamento do Mercosul.
A Comunidade Bahá'í do Brasil acredita que é chegado o momento de se aplicar princípios condizentes com a luta pelos direitos humanos, que vem sendo construída há décadas em nosso país, para assegurar a coerência das representações na Comissão de Direitos Humanos e Minorias, assim como nas demais comissões do Congresso Nacional brasileiro. Esses princípios e critérios devem ser tomados como ferramentas para que, diante do sistema político-partidário que compõe a estrutura democrática do país, o jogo político não implique em escolhas prejudiciais à isenta condução dos temas que as referidas comissões da Câmara e do Senado Federais têm, regimentalmente, a obrigação de promover, de acordo com os melhores interesses da Nação.
Cientes de que a definição desses princípios e critérios deverá passar por ampla consulta junto à sociedade civil, apresentamos algumas indagações que poderão nos auxiliar a amadurecer a ideia: Quais seriam os padrões exigidos para que um parlamentar pudesse representar com dignidade e representatividade o povo brasileiro na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ou do Senado? Quais seriam os critérios adotados para avaliar-se o perfil de um parlamentar que tem por função assegurar o avanço da efetivação dos direitos humanos no Brasil e assegurar que as demais nações caminhem no mesmo sentido? Seria este padrão uma ferramenta preventiva para assegurar uma composição de membros que compreenda a diversidade humana? Estes critérios seriam garantidores de que somente participarão destas comissões parlamentares que compreendam a justiça como expressão prática da convicção de que o progresso humano está no alinhamento entre os interesses do indivíduo e da sociedade e que assim sirvam e representem com dignidade todo o povo brasileiro?
Apresentamos abaixo algumas possíveis respostas a essas perguntas, como uma contribuição para o processo a que nos referimos acima. Um(a) parlamentar que pleiteie ser membro da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal deve:
  • Apresentar um histórico pessoal na promoção e defesa de direitos humanos, de forma ampla e incondicional;

  • Apresentar uma proposta de ação como futuro membro da comissão, compatível e alinhada com todos os instrumentos internos de defesa, promoção e garantia dos direitos humanos, bem como dos instrumentos internacionais do qual o Brasil é signatário;

  • Estar livre de condenações, denúncias ou associação a situações que violem qualquer dos direitos humanos constantes nos mecanismos internos e externos acima mencionados.

Conclamamos as organizações e movimentos de direitos humanos, assim como a totalidade da sociedade civil brasileira, a dialogar a respeito do tema e assumir a responsabilidade pelo debate maduro acerca dessas questões. A reflexão sobre o princípio de estabelecimento de critérios e sua operacionalização deverá dar-se de forma democrática e participativa para que, de fato, padrões e critérios alinhados com a justiça e os direitos humanos pautem o pensamento e a ação dos futuros membros e presidentes das comissões temáticas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
2 http://www.fichalimpa.org.br/index.php/main/ficha_limpa

quinta-feira, 21 de março de 2013

Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos é lançada na Câmara dos Deputados

De composição pluripartidária, a Frente Parlamentar funcionará
como um "espaço alternativo e complementar" à CDHM
Brasília – A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, lançada em 20 de março de 2013, foi criada como resposta à indignação de milhares de pessoas por todo o país diante da eleição para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias de um parlamentar que tem apresentado posturas discriminatórias contra a população negra, LGBTT, mulheres e diversos segmentos religiosos.

 “A iniciativa de criar esse espaço alternativo e complementar para tratar dos temas de direitos humanos na Câmara parte de um descontentamento com a escolha de um presidente que, por sua postura, não representa os ideais da CDHM”, analisa a cientista política Mary Caetana Aune-Cruz, representante da Comunidade Bahá’í do Brasil.

“Pelas próprias atribuições da Comissão, é preciso que a pessoa que assuma essa posição de liderança possua um perfil condizente com a defesa das minorias e dos grupos historicamente discriminados, independentemente de qual partido represente. O jogo político que envolve a designação partidária das comissões é incapaz de garantir isso por si só, e portanto estamos suscetíveis a esse tipo de situação – que nunca havia ocorrido antes, e talvez por isso tenha gerado tamanha mobilização. Esta é uma boa oportunidade para se pensar em maneiras efetivas para se tratar dessa questão fundamental”, afirma.

As atividades do novo organismo serão divididas em oito áreas temáticas (veja composição ao final da matéria). A proposta é estabelecer um espaço político alternativo no qual seja assegurada a discussão de temas ligados à diversidade e às minorias.

Centenas de militantes, parlamentares e jornalistas encheram
o Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados
 “Afirmamos o compromisso coletivo de ampliar na Câmara dos Deputados os espaços para que a sociedade civil e os movimentos sociais tenham a possibilidade de continuar em sua saudável luta pelo fortalecimento e garantia do respeito aos direitos humanos na sociedade brasileira e global”, afirmou o deputado Luiz Alberto (PT/BA) durante o evento de lançamento, em um auditório lotado de representantes de movimentos sociais, lideranças religiosas e parlamentares de vários partidos.

 “Não admitiremos qualquer tentativa de hierarquização dos direitos humanos. Ao contrário, vamos ampliar os espaços de discussão, orientando-nos sempre pelos princípios do estado laico, da liberdade de crença e da vedação de qualquer conduta discriminatória, logo, de toda e qualquer conduta atentatória à dignidade humana”, reforçou.

 “Não queremos concorrer com a comissão, somente garantir espaço”, disse o deputado Jean Wyllys (Psol/RJ). "Uma frente não aprova projeto de Lei, não relata, mas pode colaborar com o relatório de projetos nas comissões. A frente pode ajudar, por exemplo, um deputado a relatar um projeto que defenda os direitos de uma minoria, seja na Comissão de Direitos Humanos, na de Seguridade Social e Família ou na de Educação", acrescentou.

O deputado Chico Alencar (PSOL/RJ) destacou que a Frente “logo será um poderoso auxiliar junto aos movimentos sociais e à própria CDHM”.

 A deputada Erika Kokay (PT/DF) enfatizou que a frente contará com uma estrutura horizontalizada e funcionará como um canal de diálogo com os movimentos sociais dentro do Congresso Nacional. "Ela é um instrumento dentro da Câmara para que possamos levar adiante a luta em defesa dos direitos da pessoa humana", disse.

Coordenação da Frente Parlamentar: 
  • Chico Alencar (Psol/RJ) – liberdade à crença e à não crença;
  • Domingos Dutra (PT/MA) – democratização da terra;
  • Erika Kokay (PT/DF) – crianças e adolescentes;
  • Janete Pietá (PT/SP) – gênero;
  • Jean Wyllys (Psol/RJ) – LGBT e outras expressões de gênero;
  • Luiza Erundina (PSB/SP) – verdade e direito à informação;
  • Luiz Couto (PT/PB) – violência e grupos de extermínio;
  • Luiz Alberto (PT/BA) e Padre Ton (PT/RO) – temas étnicos e raciais;
  • Nilmário Miranda (PT/MG) – combate à tortura e sistema carcerário;
  • Vitor Paulo (PRB/RJ) – idosos e pessoas com deficiência.
*Com informações da Agência Câmara e da Agência Brasil 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A apólice de seguro de uma humanidade angustiada


A Declaração Universal dos Direitos Humanos chega aos 64 anos de existência com alguns excelentes frutos: moldou comportamentos, definiu responsabilidades, criou laços de solidariedade, destacou temas vitais como dignidade humana, justiça, liberdade e segurança coletiva. Em alguns de seus aspectos fundamentais ainda é uma carta de boas intenções.
Neste último meio século mais de uma centena de nações vieram à existência. A Declaração de Direitos Humanos, esteve reforçada na função de representativa da totalidade das nações emergentes ao ser gradativamente ratificada pelo dobro dos países signatários originais. Ela é o documento básico que articulou os direitos inalienáveis de todos os membros da família humana e de certa forma, seu conteúdo poderia ser visualizado como sendo o conjunto de anseios e esperanças acalentados por gerações de homens e mulheres, crianças e idosos, das mais variadas raças, etnias e crenças religiosas - anseios e esperanças essas pelos quais todos de alguma maneira viveram, lutaram e pereceram.
Guerras e conflitos sangrentos foram travados sempre que temas relevantes como justiça, liberdade, dignidade ou soberania nacional estiveram ameaçadas pela mão forte do opressor. Esta Declaração representa o melhor que uma humanidade angustiada saída dos escombros da segunda Grande Guerra poderia produzir. E tem personificado de certa maneira uma apólice de seguros – sem data de prescrição – para uma humanidade sempre arredia ao bacilo da guerra.
Quando nossos olhos são violentados por crianças “vestidas de pele e osso” em tantas nações africanas, asiáticas, latino-americanas em contraponto com o desperdício acumulado no leito da civilização ocidental, dita cristã, dita europeia, ficamos consternados e em alguns casos indignados: há de um lado, excesso de alimentos e de outro, excesso de fome e de miséria. Uma época que vê os povos do mundo tendo acesso crescente a todos os tipos de informação e a uma diversidade de ideias irá descobrir que a justiça se afirma como o princípio governante da organização social bem sucedida. Aos olhos de Deus, assegura Bahá'u'lláh (1817-1892), “a justiça é a mais amada de todas as coisas, pois permite que cada indivíduo veja com seus próprios olhos e não através dos olhos de outros”.
A interdependência entre povos e nações é, à medida que vemos tomar velocidade o corrente século XXI tão evidente quanto a constatação que em 1989 foi derrubado o Muro de Berlim e extirpado da face da humanidade essa sua última cicatriz conseguida durante a II Guerra Mundial. Este documento ainda precisa transpor os limites dos protocolos internacionais e se transformar em políticas públicas sólidas, reais, encetadas e monitoradas de perto por governos de todos os povos e nações. É assim que saudamos este dia 10 de dezembro, a data que evoca aquele ano de 1948, o dia em que a humanidade aprovou o inteiro teor da Declaração Universal dos Direitos Humanos.



Washington Araújo, escritor e membro da Comunidade Bahá'í do Brasil

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Bahá’ís celebram o nascimento do Fundador da Fé Bahá’í

Comemorações relembram os ensinamentos revolucionários de Bahá’u’lláh

Entre domingo e segunda-feira os bahá’ís celebrarão o nascimento de Bahá'u’lláh, Fundador da Fé Bahá’í. A mais recente religião mundial soma um contingente de cerca de 7 milhões de seguidores – os bahá’ís – dos quais 65 mil estão no Brasil. Bahá’u’lláh nasceu na antiga Pérsia, atual Irã, no dia 12 de novembro de 1817. A importância desta data é análoga à celebração do nascimento de Cristo para os cristãos. Composta por uma parte social, pela leitura de Escrituras Sagradas e orações, a programação também inclui palestras e apresentações artísticas que inspiram e comovem os participantes. A comemoração do aniversário de Bahá’u’lláh é aberta ao público e acontece nos 27 estados brasileiros e nos 178 países onde a Fé Bahá’í se faz presente.

“Ao conhecer amigos que estavam sempre dispostos a ajudar no exercício da cidadania mundial e a compaixão ao próximo, fui atraído instintivamente”, disse o gaúcho Leandro Missel, que mora atualmente em Brasília e participará do evento na cidade. “Antes eu acreditava em Cristo, hoje eu compartilho da realidade espiritual de todas as religiões; acredito em Moisés, Abraão, Muhammad, Krishna, Buda, Báb e Bahá'u'lláh: todas são movidas pelo amor”, explica ele.

Bahá’u’lláh trouxe a perspectiva de que todas as religiões são de origem divina e seus Fundadores, os grandes Profetas, renovam os Ensinamentos Divinos para a humanidade de tempos em tempos. É por isso que os bahá’ís prestam grande respeito à todos estes Educadores Divinos.

Além da unidade orgânica da religião, da humanidade e de Deus, Bahá'u'lláh profetizou no século XIX a importância da igualdade de direitos entre homens e mulheres e a eliminação de todas as formas de preconceito. “Todos os Mensageiros de Deus encontraram provações e, com Bahá'u’lláh não foi diferente. Ele foi perseguido e exilado por 40 anos, exclusivamente, por professar ensinamentos revolucionários para a época”, reflete Guilherme Nunes, de 26 anos, da Comunidade Bahá´í de Dourados (MS).

“Ele veio para acabar com as divisões, preconceitos e injustiças, visando unir os diversos povos e raças discordantes e estabelecer a paz no mundo”, explica Guilherme. “Por isso, Bahá’u’lláh exortou a todos a deixarem de lado suas diferenças e se esforçarem para transformar este mundo em um lugar melhor”, completa o jovem que se sente honrado em participar do evento em sua cidade.

Quando Bahá’u’lláh ainda era uma criança, seu pai, Vizir, teve um sonho com seu filho imerso em um oceano. “Uma multidão de peixes aglomerava-se em torno dEle, segurando-se cada um à extremidade de um fio de cabelo”, narrou Nabil-i-A'zam no volume um do livro os Rompedores da Alvorada. “Embora fossem tão numerosos, e tão tenazmente se apegassem aos Seus cabelos, nem um só fio parecia ter sido tirado de Sua cabeça, nem o menor dano atingia Sua pessoa. Livre e sem estorvo, Ele se movia sobre as águas e todos O seguiam”, conta Nabil. Esse sonho previa o destino de Bahá’u’lláh como Aquele que guiaria a humanidade para a compreensão de que “A Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos”.

No Brasil, a Comunidade Bahá’í é reconhecida por sua ação social com crianças, jovens e adultos, sua atuação na área de direitos humanos e por estabelecer projetos de desenvolvimento sócioeconômicos em diversas regiões do país.


Para mais informações sobre a celebração, em mais de mil cidades brasileiras, entre em contato pelo endereço eletrônico: info@bahai.org.br.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mensagem da Comunidade Bahá´í pelo Dia Mundial dos Povos Indígenas



Hoje, 9 de agosto, em todo o mundo comemoramos o Dia Mundial dos Povos Indígenas. Em toda a Terra, aldeias isoladas começam a se comunicar com as populações de seus territórios. Povos outrora estranhos e distantes tornam-se vizinhos próximos. De maneira inequívoca avançamos para uma nova sociedade, onde as diferenças que geravam preconceitos e discriminações tornam-se a riqueza da diversidade humana, cuja beleza resplandece neste novo milênio.


As escrituras bahá´ís ensinam:

“Considerai as flores de um jardim! Apesar de se diferenciarem pela sua espécie, pela sua cor e pela sua forma, uma vez que sejam regadas pelas chuvas de uma só primavera, revivificadas pelos sopros de uma mesma brisa, revigoradas com os raios de um mesmo sol, esta diversidade lhes aumenta o encanto e a beleza. Que desagradável seria aos olhos se todas as flores e plantas, folhas e frutos, ramos e árvores deste jardim fossem da mesma forma e cor! A diversidade de coloração, forma e formato enriquece e embeleza o jardim e engrandece o seu efeito.”

Com o avanço tecnológico dos meios de comunicação, a sociedade hodierna convive com o progresso e os problemas de cada um de seus povos ou países. A consciência da unidade entre as diferentes nações e seus desafios para o desenvolvimento humano é cada vez maior.

A mensagem do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas – ONU, enfatiza estes novos instrumentos afirmando:

“Os Indígenas estão contando na primeira pessoa suas emocionantes histórias de luta contra séculos de injustiça e discriminação, e de defesa aos recursos e direitos que preservarão suas culturas, idiomas, espiritualidade e tradições. Apresentam outro ponto de vista sobre os modelos de desenvolvimento que excluem as experiências indígenas, e promovem o respeito mútuo e a compreensão intercultural que são indispensáveis para construir uma sociedade onde não haja a pobreza nem os preconceitos.”

Nós, da Comunidade Bahá´í do Brasil queremos cumprimentar os Povos Indígenas neste dia reafirmando o nosso compromisso na defesa dos Direitos Humanos e nos princípios da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Marcha em Ipanema reúne ativistas em defesa dos direitos humanos no Irã

Bahá'ís, judeus, mulheres, jornalistas, homossexuais, e outros grupos juntos em defesa da liberdade

Na manhã do último domingo, 17 de junho, uma marcha de cerca de 1000 pessoas percorreu a Av. Atlântica no Rio de Janeiro, entre os postos 8 e 9  da Praia de Ipanema, como parte das atividades da Cúpula dos Povos, realizada paralelamente à Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável - Rio+20. O objetivo da marcha foi chamar a atenção das autoridades, da mídia e do mundo para a grave questão das violações dos Direitos Humanos no Irã, que inclui a falta de liberdade de expressão, a continuada perseguição à comunidade bahá’í, a prisão de ativistas estudantis, a censura e perseguição a jornalista e blogueiros, entre outros.

Pessoas das mais variadas organizações se juntaram à marcha, numa demonstração da consciência do princípio da custódia coletiva de nosso planeta como uma responsabilidade comum a todos.

“O princípio da Guardiania implica que cada um de nós ingressa no mundo sob a guarda do todo e que, por sua vez, possui como legado certo grau de responsabilidade para com o bem-estar da  coletividade”, disse Marilucia Pinheiro, da comunidade bahá’í Rio de Janeiro. “Os direitos humanos, por exemplo, alcançam sua mais elevada expressão quando entendidos no contexto da guardiania: eles passam a prover uma estrutura de relações humanas por meio da qual todas as pessoas têm a oportunidade de realizar seu pleno potencial, e todos têm a preocupação de garantir essa mesma oportunidade para os  demais”, afirma ela.

A marcha ocorreu no momento em que Chefes de Estado de todo o mundo começam a desembarcar no Rio de Janeiro para a Rio+20, incluindo o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, considerado um dos mais polêmicos políticos do mundo contemporâneo.

“Não somos contra a vinda de nenhum chefe de estado, e apoiamos fortemente a aproximação dos países para a discussão de temas como os que estão sendo  tratados na Rio+20; mas ao mesmo tempo, precisamos aproveitar a atenção da mídia e dos governos para reforçar que não há desenvolvimento sem direitos humanos”, considerou Marilucia.

“A participação de pessoas comuns, lideranças comunitárias, religiosas e políticas, membros de ONG’s na marcha reforça a crescente convicção de que todas as pessoas tem não apenas o direito de se beneficiar de uma sociedade material e espiritualmente próspera,  mas também a obrigação de participar de sua construção”, explicou Daniella Hiche, membro da delegação da Comunidade Internacional Bahá'í para a Conferência.

Os bahá'ís estão envolvidos em uma série de atividades no âmbito da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. “Nosso foco é a ação social desenvolvida pelas comunidades bahá'ís no Brasil e no mundo para a transformação individual e coletiva da humanidade”, contou Daniella. 


Confira as fotos da marcha aqui.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Objetivos comuns unem painel nas Nações Unidas e grupo de pré-jovens em São Sebastião (DF)

Atividades promovem discussão sobre o papel da juventude na mudança social


Preparar a juventude do mundo para o futuro irá requerer novos rumos na educação que enfatizem seu papel como cidadãos globais. Esta foi uma das ideias apresentadas num painel de discussões patrocinado pela Comunidade Internacional Bahá’í, como um evento paralelo à Comissão das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento, realizada de 23 a 27 de abril em Nova Iorque.

Intitulado “Juventude e Adolescência: Educando os Protagonistas da Mudança Social”, o painel procurou tratar do principal tema da Comissão deste ano.


É preciso ensinar à juventude “o conceito de direitos humanos fundamentais, e os conceitos de tolerância, paz e diversidade”, disse o Embaixador William A. Awinador-Kanyirige, Vice-Representante Permanente da Missão Permanente de Gana junto às Nações Unidas.

“Se não oferecermos isso, juntamente com as habilidades das ciências básicas e comunicação, não estaremos ajudando a juventude a se perceber plenamente”, disse ele.

Abrindo a discussão, Bani Dugal – a principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto à ONU – disse: “Queremos explorar processos educacionais que ajudem os jovens a identificar e desenvolver suas potencialidades... e a ver a si próprios como protagonistas de mudança em suas próprias vidas, na vida de sua comunidade e no mundo.”

“Hoje, muitas das abordagens à educação tratam os estudantes de um modo muito passivo, como receptáculos de informação em vez de membros ativos de sua comunidade”, disse Dugal.

A painelista Alicia Cundall, estudante da Universidade de Toronto, disse que os jovens estão ansiosos para se tornarem parceiros estratégicos para ajudar a planejar o mundo que herdarão.

“Eu descobri que os adolescentes e jovens são idealistas no melhor sentido da palavra”, disse Alicia. “Não aceitamos não como resposta, somos firmes naquilo em que acreditamos, desafiamos o status quo, nossa disposição mental e atitudes são flexíveis e maleáveis e somos capazes de mudar nossas abordagens para nos adaptar aos tempos de mudança mais facilmente que os adultos. Temos muita energia e entusiasmo.”

Programas para a juventude, disse ela, devem enfatizar a importância de serviço à comunidade e da aprendizagem experimental.

Transformação individual e coletiva

Assim como Alicia, a brasileira Silvanice Ribeiro Avelar também acredita no potencial da juventude como protagonista de processos de mudança. “Os jovens possuem vontade, disposição, tempo, além de terem muita determinação e perseverança; conseguem mobilizar a sociedade civil para assumir o protagonismo da melhora do mundo”, afirma ela.

“Essa transformação ocorreu gradualmente comigo também quando comecei a participar de atividades promovidas pela comunidade bahá'í na minha cidade”, conta a jovem de São Sebastião (DF), que tem 21 anos e é Coordenadora dos Grupos de Pré-Jovens da região.

Na época em que foi convidada para participar da Oficina Bahá'í de Arte - OBA, Silvanice tinha apenas 14 anos e não tinha ainda formado uma consciência sobre uma vida voltada para o serviço à humanidade. A oficina é parte das atividades de lazer saudável promovidas pelos grupos de pré-jovens1 da região.

“Fiquei muito empolgada com a proposta do grupo, porque o programa reunia artes dança, serviço social, esporte, lazer e estudo”, lembra ela. “Os monitores explicavam que o propósito do programa era fomentar essa transformação individual e coletiva”, conta Silvanice.

Por meio de consultas e planejamentos de atos de serviço com os integrantes do grupo, a jovem sentia a importância de se envolver na construção de um mundo melhor.

“Com a participação no OBA, fiquei mais paciente, aprendi a escutar os outros, refletir sobre as minhas ações e o impacto positivo ou negativo que elas podem trazer para a sociedade”, analisa a jovem estudante de Letras, cujo desejo de ser professora vem da vontade de ajudar as pessoas a desenvolverem suas capacidades.

Contribuindo com o futuro da sociedade

Como parte de sua contribuição à Comissão deste ano, a Comunidade Internacional Bahá’í emitiu uma declaração a respeito do tema. O documento observou que há pelo menos um bilhão de pessoas em todo o mundo com idade entre 10 e 19 anos – sendo que a metade delas vive na pobreza e cerca de 25 por cento sobrevive com menos de um dólar por dia.

“O futuro da sociedade atual dependerá em grande medida do modo como programas e métodos educacionais são projetados para liberar o talento potencial da juventude e prepará-la para o mundo que ela irá herdar”, diz a declaração.

A íntegra da declaração (em inglês) pode ser encontrada aqui.
(com informações do BWNS)


1 Os grupos de pré-jovens são atividades promovidas pela comunidade bahá'í ao redor do mundo, voltadas para o público-alvo de 11 a 15 anos de idade. Seu objetivo é auxiliar esses adolescentes a reconhecerem seu papel como membros ativos da comunidade em que estão inseridos, canalizando suas energias para o serviço à humanidade. Para mais informações, acesse www.bahai.org.br ou entre em contato com os bahá'ís em sua localidade.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Manaus promove seminário de conscientização sobre direitos humanos universais

Mobilização de alunos e docentes para a defesa de direitos no Brasil e no mundo

Cerca de 260 pessoas estiveram presentes no primeiro seminário “Direitos Humanos e Cidadania: Desafios à Prática Social”, realizado no dia 4 de abril na Faculdade Tahirih, em Manaus (AM). Organizado pela própria instituição, o evento foi direcionado aos estudantes, professores e técnicos do curso de Serviço Social e aos alunos de outras três faculdades. As palestras foram proferidas no auditório Muhajir pelo Deputado Luiz Castro Andrade Neto, o advogado e membro da Comunidade Bahá'í de Manaus, William Sami, e pelo professor Jefferson William Pereira.


Durante a cerimônia de abertura, a professora Suzan Sami, diretora da Faculdade Tahirih, ressaltou a importância do evento para a formação acadêmica dos estudantes. “Levar ao conhecimento a abrangência dos direitos humanos, tanto na esfera nacional quanto mundial, é contribuir para o avanço civilizatório”, afirmou Suzan.


A Faculdade Tahirih integra o programa da Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia (ADCAM), uma instituição não governamental de inspiração bahá'í que há mais de 23 anos realiza atividades sócio-educativas no Estado do Amazonas. Segundo a coordenadora do curso, professora Francizelma Fonseca, “o encontro foi um momento de reflexão e aprimoramento para a formação profissional e fortalecimento do projeto ético-pedagógico do serviço social”.


O deputado Luiz Castro, bacharel em Direito, proferiu a primeira palestra sobre “Direitos Humanos no Brasil”. Em seguida, o advogado William Sami tratou do tema “Intolerância Religiosa”, dedicando sua apresentação especificamente às violações de direitos básicos dos bahá'ís no Irã. Durante sua fala, Sami exibiu dois vídeos que retratam a situação imposta aos bahá'ís pelo governo teocrático Iraniano. “Os bahá'ís estão sendo presos por acreditarem na unidade entre os povos e não têm sequer o direito a um julgamento justo”, contou ele.


A programação contou ainda com a palestra “Contradição dos Direitos Humanos na Sociedade Moderna”, apresentada pelo professor e assistente social Jefferson William Pereira. Ele fez um retrato dos acontecimentos no decorrer do século a fim de ressaltar a importância de se valorizar o processo de desenvolvimento humano.


Ao final, os participantes tiveram a oportunidade de realizar perguntas aos palestrantes. Além disso, foram convidados a assinar uma petição eletrônica destinada a representantes do governo brasileiro e das Nações Unidas, na qual solicita-se ações contra a negativa de acesso à educação superior a jovens estudantes no Irã, como parte da campanha internacional Você Pode Resolver Isso? [do inglês, Can You Solve This?]. A petição está disponível na página www.can-you-solve-this.org/br.


Para saber mais sobre a negativa de acesso à educação aos jovens bahá'ís no Irã, acesse www.bahai.org.br/noticias/educacao.


Para acompanhar a repercussão da campanha internacional Você Pode Resolver Isso?, clique aqui.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

“Caminhando a gente se entende”: livro com imagens pela liberdade religiosa

As quatro edições das Caminhadas em Defesa da Liberdade Religiosa é tema de livro que será lançado no dia 23 de janeiro

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) lançará na próxima segunda (23 de janeiro) a partir das 18h, no Palácio Gustavo Capanema, o “Caminhando a gente se entende”, livro de fotografias que reúne imagens das quatro Caminhadas em Defesa da Liberdade Religiosa, realizadas sempre na Avenida Atlântica, em Copacabana. De acordo com a CCIR, cerca de 180 mil pessoas participaram da 4ª edição do evento, dentre elas judeus, bahá'ís, umbandistas, muçulmanos, candomblecistas, kardecistas, católicos, evangélicos, wiccanos, ciganos, budistas hare Krishnas, seguidores do Santo Daime, maçons, ateus e agnósticos.

O evento faz parte das comemorações pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro) e, além de contar com a presença de todos os segmentos que compõem a CCIR, pretende, mais uma vez, expor ao mundo a possibilidade de boa convivência entre fiéis com crenças distintas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; a chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros; a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, entre outras autoridades são aguardadas no evento.

O interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, ressalta que o livro é mais um grande esforço do grupo para mostrar a importância e necessidade de respeito ao Estado laico. “A Comissão tem alcançado muitas vitórias. Este livro é uma delas. Ao olhar a obra, percebe-se como o movimento cresceu e a seriedade da Caminhada para todos, inclusive os que não têm fé, pois é um direito deles”, conta o interlocutor, que faz um breve resumo sobre o “Caminhando a gente se entende”. “É um livro com fotos das quatro caminhadas que realizamos até hoje. Nele, cada segmento - além dos parceiros como Polícia Civil, Tribunal de Justiça e Ministério Público - expõe a importância do movimento. É para que nunca se esqueçam de onde toda a história veio e como se deu o crescimento da Comissão”.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araújo, compartilha da opinião. “É o registro democrático e soberano de manifestação da sociedade carioca e fluminense em defesa da liberdade religiosa e, desta forma, confirmar a laicidade do Estado brasileiro”, disse.

Mas a intenção do grupo também é de ampliar a adesão e, segundo a fundadora da CCIR, Fátima Damas, uma forma de mostrar todo o esforço dos membros desde a fundação. “Além de ser um lançamento importante, também é uma satisfação que estamos dando à sociedade. Não é somente a Caminhada, não é somente a reunião semanal. O livro vem como uma extensão do nosso trabalho. Com ele, queremos alcançar mais pessoas e pedir respeito a todas as religiões. Estou muito feliz porque esse livro é a coroação de todo nosso esforço nesses quatro anos”, declara.

A obra tem imagens de fotógrafos que trabalham com a Comissão desde a primeira marcha. Vantoen P. Jr., Ierê Ferreira, Marco Conceição, Daniel Pinheiro, Henrique Esteves, Alessandro Buzas, Carlos Júnior, Fellippo Brando e Vítor Tristão são os profissionais que dispuseram imagens para a confecção do livro.

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