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segunda-feira, 15 de março de 2010

Bahá'ís casados, divorciados e viúvos estão impossibilitados de adquirir documento de identidade no Egito


O porta-voz da comunidade bahá'í no Egito, Rauf el-Hendi, disse no início do mês que a “crise do estado civil” na carteira de identidade nacional para centenas de bahá'ís casados, divorciados e viúvos ainda é um motivo de grande preocupação no país. Bahá'ís nessa condição civil não são permitidos tirar carteira de identidade com o status religioso permanecendo em branco, o que tem causado grande dificuldade para famílias e indivíduos que precisam de passaporte, carteira de motorista ou outro documento oficial, ainda que oficiais do governo tenham prometido considerar o assunto como “um prelúdio para encontrar soluções”.


Leia o texto original em inglês http://bikyamasr.com/?p=9906

terça-feira, 9 de março de 2010

Relatório preliminar do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010


Somente 24% das pessoas vistas, ouvidas ou a respeito de quem se lê nas notícias são mulheres. Essa é uma das principais revelações do Projeto Global de Monitoramento de Mídia de 2010 (2010 Global Media Monitoring Project - GMMP). O relatório preliminar foi divulgado em 2 de março de 2010, em um painel de discussões e debates, por ocasião da 54ª sessão da Comissão da ONU sobre a Condição da Mulher, em Nova Iorque.


O dia 10 de novembro de 2009 foi um dia comum de trabalho para o pessoal das salas de notícias ao redor do mundo. Foi, contudo, um dia especial para grupos voluntários em 130 países em todo o mundo, que estavam debruçados sobre seus jornais de circulação nacional, atentamente ouvindo notícias no rádio e assistindo de perto à televisão local. Iradj Eghrari, representante de Comunidade Bahá'í do Brasil, participou fazendo um levantamento das notícias que saíram no jornal Correio Braziliense, de Brasília. Com lápis e códigos nas mãos, o objetivo era observar, analisar e documentar achados com relação a indicadores de gênero em notícias, para o Projeto Global de Monitoramento de Mídia - a maior pesquisa e iniciativa mundial de gênero na mídia noticiosa. O propósito do projeto é fazer surgir uma representação de gênero justa e equilibrada na mídia noticiosa.

Os resultados contidos no relatório são preliminares, baseados em uma amostragem de 42 países na África, Ásia, América Latina, no Caribe, nas Ilhas do Pacífico e na Europa. Os resultados incluem 6.902 itens de notícias e 14.044 tópicos de notícias, incluindo pessoas entrevistadas nas notícias.

Edouard Adzotsa, Secretário Geral do Sindicato dos Jornalistas da África Central e Coordenador do GMMP no Congo Brazzaville, observou, durante o monitoramento naquele dia, que "a mídia noticiosa parece servir a interesses masculinos; a atenção às mulheres é extremamente negligente, apesar de as mulheres estarem em maior número, nacionalmente; as mulheres são a vida das comunidades, particularmente em assentamentos informais e em áreas rurais."

Dentre os principais resultados estão:

- 24% das pessoas entrevistadas, ouvidas, vistas ou a respeito de quem se lê em transmissões principais e notícias impressas são mulheres; somente 16% de todas as matérias concentram-se especificamente em mulheres.

- As mulheres quase atingiram a igualdade, ao fornecer opinião em matérias. Entretanto, menos de um dentre cinco especialistas entrevistados é mulher, e homens predominam fortemente como testemunhas e relatores de experiências pessoais em matérias.

- Quase metade (48%) de todas as matérias reforça estereótipos de gênero, enquanto 8% das matérias questionam estereótipos de gênero. As mulheres em noticiários são identificadas por seus relacionamentos familiares (esposa, mãe, filha), cinco vezes mais que os homens.

- Em geral, há bem menos matérias apresentadas por repórteres femininas, do que por repórteres masculinos. Matérias apresentadas por repórteres femininas têm consideravelmente mais focos em temas femininos, do que as matérias apresentadas por repórteres masculinos, e questionam estereótipos de gênero quase duas vezes mais do que matérias de repórteres masculinos.

- O estudo revela, em geral, que as mulheres permanecem extremamente sub-representadas na cobertura de notícias, em comparação com os homens, resultando em notícias que retratam um mundo em que as mulheres são altamente ausentes. A pesquisa também mostra a escassez de visões e opiniões de mulheres, em comparação com perspectivas masculinas, nos principais noticiários.
Abebech Wolde, da Associação Etíope de Mulheres da Mídia e Coordenadora da GMMP, na Etiópia, disse: "Esperamos que nosso estudo a respeito da representação de gênero na mídia seja levado a sério por quem tem o poder nesses veículos."

Uma comparação com os resultados das três últimas edições do GMMP, realizadas a cada cinco anos desde 1995, mostra sinais de mudanças em direção a notícias equilibradas e sensíveis no tocante a gênero. Matérias com temas femininos aumentaram de 17% para 24%, nos últimos 15 anos. A opinião popular em notícias agora chegou quase à igualdade, se comparado com 2005, quando em 66%, a opinião popular era majoritariamente prestada por homens.

Aidan White, Secretário Geral da Federação Internacional de Jornalistas (International Federation of Journalists - IFJ), declarou, na publicação do IFJ denominada 'Alcançando o Equilíbrio: Igualdade de Gênero no Jornalismo' ('Getting the Balance Right: Gender Equality in Journalism'), que "um retrato de gênero justo é uma aspiração profissional e ética, similar ao respeito por precisão, justiça e honestidade".

O Projeto Global de Monitoramento de Mídia é coordenado pela Associação Mundial para a Comunicação Cristã (World Association for Christian Communication - WACC), uma ONG internacional com escritórios no Canadá e no Reino Unido, que promove comunicação em prol de mudanças sociais, em colaboração com o analista de dados Media Monitoring Africa, da África do Sul. A Gender Links, também sediada na África do Sul, forneceu assessoria para o aprimoramento das ferramentas de monitoramento e da metodologia. Os voluntários que participaram do dia do monitoramento incluem ativistas das áreas de gênero e mídia, grupos de comunicação de base, pesquisadores/as universitários/as e estudantes de comunicação, profissionais de mídia, associações de jornalistas, redes de mídia alternativas e grupos religiosos. O projeto é apoiado pelo UNIFEM - Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher.


O relatório preliminar está disponível em inglês em www.whomakesthenews.org

Sumários executivos estão disponíveis em inglês, francês e espanhol. Relatórios globais, regionais e nacionais finais serão publicados em setembro de 2010.

Para maiores informações, contate: MT@waccglobal.org

No Brasil, a coordenação ficou a cargo de Sandra Duarte de Souza (Universidade Metodista) e Vera Vieira (Rede Mulher de Educação e Associação Mulheres pela Paz). Em breve, será divulgado um artigo específico sobre o relatório brasileiro, que não foge aos resultados mundiais.


(Tradução: Luana Yoko Vieira Komatsu)

segunda-feira, 8 de março de 2010

Brasileiros se unem à comunidade internacional e apoiam o "Dia sem Véu"

No dia de hoje, Dia Internacional da Mulher, a BPW de Florianópolis (Associação de Mulheres Profissionais e de Negócios da Grande Florianópolis) conseguiu contar 150 mensagens em solidariedade ao “desvelar da liberdade e autonomia das mulheres”, como escreveu um dos apoiadores, que hoje removerão o véu no Irã em protesto à opressão que sofrem em seu país. Entre homens e mulheres, no Brasil e no exterior, chegaram mensagens de apoio e incentivo às bravas iranianas que lutam pelo direito de livre escolha, pelo direito à liberdade de expressão e pensamento, tolhida pelo machismo e fundamentalismo islâmico. A ONG enviou para sua rede de contatos um texto divulgando a manifestação e solicitando o apoio de todos como agentes de transformação enviando um e-mail para iranianalivre@gmail.com.

É interessante ressaltar que dentre essas mensagens há a identificação com uma causa universal que vai além das fronteiras do Irã, e que urge no mundo todo: a necessidade de uma sociedade onde os papéis masculino e feminino estejam equilibrados, seja no ambiente de trabalho, seja nos lares. Um exemplo disso é o relato de uma brasileira que não só se solidarizou com a causa das iranianas, mas também compartilhou seu histórico de opressão doméstica e de como conseguiu superar.

Abaixo, uma seleção de mensagens recebidas em apoio às iranianas:


“Não só estou convosco na vossa luta, como me sinto carne da vossa carne, espero que ganhem a vossa liberdade e o vosso povo sem um preço tão elevado em dor e sangue, mas infelizmente, nas ditaduras a liberdade, conquista-se com muita dor.

Em Portugal também foi assim, mas vencemos. Todavia tivemos uma vantagem estávamos na Europa, e o nosso regime nunca foi teocrático. No Irão tudo infelizmente será muito mais difícil.

Um grande abraço solidário”


“No dejen que nada las detenga mujeres sean libres de la opresionn!!!!! ala lucha pacifica!!!!!!”


“Caras mulheres irmães iranianas, é tempo de unir forças em defesa das mulheres. Lutemos por um mundo mais justo. levantem o véu, ergam a cabeça e sigam em frente.”


“Companheiras,
Do Brasil estarei com vocês em pensamento, enviando vibrações positivas, energias limpas, amor... Coragem, força, não desistam nunca. Depois a recompensa dessa luta virá para vocês, suas filhas e seus filhos, netas e netos. E, porque não, para os seus companheiros. Viva a liberdade! Viva a equidade de gênero! Lutemos
por uma sociedade onde possamos "viver a diferença com direitos iguais". Força!!!!!!!!!”


“Que este manisfesto sirva de exemplo a qualquer mulher que ainda viva sob o domínio de homens.
É inadmissível que em pleno século 21 a mulher ainda seja tratada como um ser inferior.”


“Good Women that are strong and peaceful,

Shall all Gods of every nation of men and women, children and living
cultures recognize that you have lived long enough under men´s
laws.
It is time to improve your conciousness, of all beings from all countries
in behalf of close understanding and dignity.
May the Divine force bring you peace and freedom, care and love.
and to men too.”


“Apóio toda e qualquer atitude que promova a liberdade de ser o que se é sempre em busca da paz.”


“Apóio, sem restrições o moveimento das mulheres iranianas assim como todas as africanas que sofrem punições e incontáveis discriminações. Temos que nos reunir sem nestas manifestações e clamar por direitos legítimos!”


“Transmito o meu apoio a esta mulheres que vivem sobre estado de coasão constante , por uma interpretação errônea do alcorão, submetendo-as ao exílio constante, não permitindo que se relacionem com dignidade com a comunidade, mostrando os seus rostos, e desta forma adquirindo identidade, o que é bloqueado pela coberta do véu em seu rosto.


Apoio este manifesto e faço parte desta corrente de mulheres que lutam pela sua dignidade, e pelo espaço que lhe é devido na sociedade, como mães, trabalhadoras e cientes que são responsáveis pela criação de pessoas que formarão a nova geração, e portanto, precisam de liberdade de expressão e discernimento, para criar uma sociedade mais justa e equilibrada.

Faço votos que este manisfesto cumpra o seu objetivo, e deste em dia em diante, poderemos iniciar uma nova etapa da estória deste planeta."


“Eu apoio à causa de nossas irmãs que queiram fazer uso da liberdade que o Livro Sagrado lhes faculta.”


“Vamos, amigas, tirar o véu não só de nossas cabeças, como também o véu da hipocrisia que cobre os olhos dos que não querem ver que o mundo em que vivemos dominado pela força e competitividade dos homens é um mundo de guerra, e que se nós mulheres não tivermos nossa vez de mudar a história, nunca haverá a paz e a fraternidade tão almejadas.
Vamos em frente, meninas, sem véus e sem medo, olhos nos olhos, mãos nas mãos, corações unidos!”


“Esta é a minha participação nesse manifesto de repudio, apoiando as mulheres iranianas que sofrem a séculos o abuso do poder dos homens e da religião imposta.
Para mim, isso é pura demagogia, pois a religião arcaica e mofada,abusa apenas do sexo feminino, e com toda a sua rigidez, se rendeu ao modernismo, a era da Internet e da Comunicação. Abraçam sem nenhum pudor, toda a modernidade cientifica e tudo que lhes causam maiores proveitos.
Já que dizem conservar tanto seus costumes, deveriam então, permanecer como no tempo das cavernas e muito ao contrário, se favorecem com todas as descobertas. Esses benefícios todos só não podem ser alcançados por suas mulheres, que continuam sendo segregadas e discriminadas.
Isso é uma vergonha e pura hipocrisia que precisa ter um fim.
Liberdade já para aquelas que lhes dão a vida!”


“A quem possa interessar, acredito que temos que ser livres, não é a burca que faz com que o islam seja seguido de forma diferente, mas sim o que esta em cada coração, de cada mulher que tem o islam como vida.”


“Me coloco lado a lado das Iranianas e desejo profundamente que venham a sentir o frescor da liberdade no rosto, no mais íntegro e abençoado gesto.”

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Declaração Universal de Direitos Humanos

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Art 1º. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.(...)

Art 2º. §1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza nascimento ou qualquer outra condição.

CONHEÇA O TEXTO DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS "aqui"

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