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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tempo de Mudanças: clima e modelos de desenvolvimento

Mary Caetana Aune-Cruz*


A Conferência Mundial sobre o Clima teve início nesta segunda-feira em Copenhagen/ Dinamarca com ampla participação de representantes de governos, organizações não-governamentais, acadêmicos, empresários e parlamentares. Só a delegação do Brasil, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores, conta com mais de 600 pessoas. A expectativa mundial é de que o acordo final do evento possa contribuir para a resolução de severas questões ligadas às mudanças climáticas.

O tema não é de fácil manejo: grupos de países em diferentes níveis de desenvolvimento – com extremos de pobreza e riqueza cada vez mais marcados – trazem, sem sombra de dúvida, perspectivas diferentes sobre como deve ser abordado. Entre assuntos complexos como metas de redução de emissão de carbono; desmatamento; florestamento e reflorestamento; qualidade da água; poluição; transferência de tecnologia; financiamento; mitigação; adaptação e tantos outros, especialistas, diplomatas e grupos de interesse (econômico, político e social) disputam espaço em negociações que muitas vezes parecem não sair do lugar.

Representantes de organizações e movimentos sociais, da mesma maneira, têm avaliações diversas do que esta conferência pode representar para o futuro da humanidade e do planeta. Grande parte avalia que o acordo sairá enfraquecido enquanto não forem estabelecidas metas concretas, tanto para os países desenvolvidos quanto para os que estão ainda em desenvolvimento.

Surge porém uma grande oportunidade em meio a todas as disputas e dissensos que se apresentam nesta discussão: a do reconhecimento da responsabilidade coletiva da humanidade sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade da vida na Terra. O assunto consta dos anais da Reunião do Rio (ECO-92), onde se fala de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas” para países com níveis diferentes de desenvolvimento.

O Brasil vem assumindo compromissos voluntários de redução de emissão de CO2, desmatamento, consumo e produção sustentável, entre outros – mas recusa-se (juntamente com os demais países do G77 e China) a aceitar metas internacionalmente definidas. Ainda assim, há que se verificar que os acordos globais são uma peça importante para a geração de mudanças substantivas, favorecendo a transferência de tecnologia e o financiamento de ações no nível nacional e local. Neste sentido, neste momento em que as lideranças da maioria dos países do mundo estão reunidos em Copenhagen, é essencial que este assunto volte à baila. É preciso que permeie os pensamentos dos negociadores e negociadoras e dê as bases para decisões voltadas para o bem da humanidade como um todo.

Uma das questões que prometem impactar esta reunião é a inclusão de uma dimensão de gênero nas discussões governamentais sobre mudanças climáticas. Internacionalmente, há reconhecimento de vários países sobre a necessidade de reconhecer as mulheres como agentes essenciais de mudança, mas muito pouco vem sendo feito em termos práticos, por parte dos governos, para atender a este requisito.

Interessante notar que – apesar de as mulheres serem reconhecidas pelo documento final da ECO-92 como um dos grupos principais a serem considerados para as questões ambientais – a Convenção sobre Mudanças Climáticas é a única da família de convenções das Nações Unidas que não traz este recorte. Isto dá margem para que mais da metade da população mundial seja excluída da possibilidade de beneficiar-se de tecnologias já desenvolvidas e de auxílio financeiro, ou de contribuir com suas capacidades para a resolução do problema. Esta distorção poderá ser sanada a partir da ação consciente das delegações para a inclusão e manutenção de referências de gênero em diversas partes do texto em negociação.

O princípio subjacente, tanto ao reconhecimento da responsabilidade coletiva, quanto à adequação do texto para assegurar o equilíbrio de gênero, é o da unidade da humanidade. O desafio que se apresenta diante de nossos olhos, portanto, não é apenas técnico, mas também moral. Trata-se de um chamado à transformação de pensamentos e comportamentos, a fim de permitir que as estruturas econômicas e sociais possam estender os benefícios do desenvolvimento para todas as pessoas – sejam mulheres ou homens, ricos ou pobres e de qualquer região do globo.

*Cientista Política, Secretária Nacional Adjunta de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá'í do Brasil.

Leia a declaração da Comunidade Internacional Bahá'í sobre mudanças climáticas.

Saiba mais sobre a atuação do Brasil na COP-15 em www.cop15brasil.gov.br

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Declaração Universal de Direitos Humanos

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Art 1º. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.(...)

Art 2º. §1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza nascimento ou qualquer outra condição.

CONHEÇA O TEXTO DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS "aqui"

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